AVENTURA DE PESO
Na edição 159 da revista Aventura&Ação, você vai conhecer a história do Luis Henrique Marques. Ele chegou a pesar 130 kg, mas nunca abandonou os esportes de aventura.
Mas antes, saiba um pouco mais sobre a obesidade mórbida e os benefícios que as atividades físicas trazem para as pessoas que sofrem com essa doença.
Veja a matéria completa na edição 159. Já nas bancas!

A obesidade mórbida ocorre, quando o peso de uma pessoa ultrapassa, o valor 40 no Índice de Massa Corporal Gorda (IMC). Para entender como se chega a este índice, basta dividir o peso pela altura ao quadrado.
Fórmula
IMC = peso / (altura)²
De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o National Institutes of Health (NIH), um aumento de 20% ou mais acima de seu peso corporal ideal significa que o excesso de peso tornou-se um risco à saúde.
São vários os problemas causados pela obesidade, como por exemplo, diabetes, dislipidemias, doença arterial, cuja mais comum é a Coronariana, com risco de desenvolver infarto ou AVE (Acidente Vascular Encefálico), trombose venosa com isquemia e necrose principalmente de partes distais do corpo, como pés, hipertensão arterial, problemas articulares (joelhos e coluna lombar) e depressão.
O tratamento mais eficaz, e indicado nos últimos anos para a obesidade mórbida, é a gastroplastia, também conhecida como cirurgia bariátrica.
A obesidade é um problema grave, e de difícil controle em praticamente todas as sociedades modernas. Muitas explicações, baseadas em um grande número de trabalhos científicos, são encontradas em uma vasta gama de publicações médicas, bem como em publicações leigas.
A origem genética vem sendo muito investigada e, de fato, parece ter papel relevante neste complexo mecanismo que resulta em última análise, na tendência e manutenção da obesidade. Entretanto uma pergunta ficará sem resposta, principalmente para os que viveram nos anos 60 e 70: onde estavam os obesos naqueles anos?
Mudamos nossa arquitetura genética nestes 30 anos? Definitivamente não. Mas o que houve então? Abaixo uma pista.
A Criação nos proporcionou o mais eficiente sistema de transformação energética conhecido: O sistema digestório, formado por um reservatório de grande capacidade (estômago), uma superfície altamente eficiente de absorção (intestino) e um conjunto acessório de processamento (fígado e pâncreas). Este sistema foi de importância fundamental no início de nossa caminhada neste planeta, quando precisávamos caçar para obter alimento, enchíamos o nosso reservatório até o máximo, para suportarmos um imprevisível intervalo de tempo até a próxima refeição. Com o passar dos anos, o desenvolvimento tecnológico paulatinamente nos permitiu organizar, cultivar, industrializar e armazenar alimentos, proporcionando alimentação de acordo com nossa vontade. No entanto o nosso sistema eficiente de absorção continuou inalterado. Some-se a isto a grande disponibilidade de alimentos extremamente calóricos nos últimos anos e ainda, transporte motorizado, sedentarismo, principalmente na infância e teremos a mistura de fatores que culminou nesta verdadeira epidemia de obesidade.
O conjunto de fatores citados acima, não exclui o fator genético de maneira alguma, inclusive porque, os nossos genes, necessitam da interação com fatores externos para sua expressão, isto é, quando seus genes determinam um conjunto de características anatômicas e funcionais que resultem em obesidade, será preciso a ação de um fator externo para interação (a comida). Nos países em que a fome é predominante, certamente existem indivíduos potencialmente obesos geneticamente falando, entretanto a impossibilidade de acesso à alimentação adequada impede a expressão da obesidade em seus organismos.
Até o presente momento, a cirurgia bariátrica é o único tratamento eficaz para a obesidade mórbida, sendo suas técnicas, puramente baseadas em adaptação digestiva. Atuamos na adaptação do reservatório (cirurgias de restrição gástrica) e da absorção (cirurgias de desvio intestinal), na tentativa de adequação do sistema digestório à nova realidade, obtendo assim o desejado resultado do emagrecimento.
Dr. Antonio Cláudio Jamel Coelho
CRM-RJ 52.45926-0
BENEFÍCIOS QUE AS ATIVIDADES FÍSICAS PODEM TRAZER
Durante o tratamento da obesidade, são muitos os benefícios que as atividades físicas proporcionam. Ela está ligada diretamente ao processo de emagrecimento, onde se torna essencial realizar alguma atividade, seja aeróbica ou mesmo anaeróbica.
Podemos dividir os benefícios em três esferas: esfera fisiológica, psicológica e social.
Dos benefícios fisiológicos, pode-se citar que em curto prazo, a atividade física permite estabilizar a quantidade de glicose no sangue, estimulando ao mesmo tempo as quantidades de adrenalina e noradrenalina e também proporcionando uma melhora no sono. Em longo prazo, provoca uma melhora na função cardiovascular, no tônus muscular, na flexibilidade, procurando preservar e restabelecer a mobilidade das articulações no equilíbrio, na coordenação motora e na velocidade do movimento.
Dos benefícios psicológicos, pode-se destacar em curto prazo, que proporciona ao indivíduo praticante um relaxamento e conseqüentemente uma diminuição do estresse e da ansiedade, auxiliando na melhora do humor dos indivíduos praticantes. Em longo prazo, provoca um bem estar geral, acarretando melhora na saúde mental e auxiliando inclusive no tratamento da depressão.
Dos benefícios sociais, em curto prazo, pode-se mencionar a socialização e a integração desses indivíduos a grupos sociais, e em longo prazo, por essa socialização a formação de novas amizades e companheirismos, além da ampliação das relações sociais.
Analisando as três esferas citadas, verifica-se que a obesidade, causa justamente o efeito inverso.Quando se está obeso mórbido, muitas vezes, é difícil fazer exercícios físicos, pois as articulações podem estar comprometidas, por causa do excesso de peso. A obesidade causa um ciclo vicioso, ou seja, como perder peso, se os exercícios podem “comprometer” a saúde do indivíduo também? Por isso que o estimulo da cirurgia, torna-se importante neste momento, pois a redução de peso no início é bastante significativa, e colocará o indivíduo numa condição melhor para a prática esportiva.

Antes, com 130 kg, tudo era mais complicado. Na época, Luis subiu a Pedra da Gávea em cinco horas. Recentemente, alcançou o topo em uma hora e quarenta minutos.
Fotos: Arquivo Pessoal